O fim da profissão Corretor de Seguros?

Atualizado: 26 de Nov de 2019


Tenho 35 anos de idade, destes, mais de 10 anos são dedicados a profissão de corretor de seguros.


Filho de corretor de seguros, ouvia há anos que essa profissão estava com os dias contados. E, muitas vezes, eu mesmo concordei e propaguei isso! Afinal, diferente de mim, observava muitos colegas de trabalho sem o mínimo preparo e com atitudes que só denegriam a imagem do corretor, tornando a atividade facilmente substituível por um gerente de banco, um vendedor de veículos, ou, até mesmo, servindo como bico para alguns.


Mas de quem é a culpa? Das entidades que nos representam? Das Seguradoras? Da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP)? Na minha opinião, a culpa é nossa!

Nós corretores, muitas vezes deixamos de nos dedicar à nossa profissão, deixamos de nos aprimorar e nos atualizar, e, muitas vezes, agimos sem respeitar os colegas de profissão. Diminuindo a importância que nós temos para o mercado.


Para alguns colegas de trabalho com os quais eu tive a oportunidade de conversar, sempre deixei claro o meu sentimento de que a venda do seguro seria um mero detalhe. Deveríamos estar sempre nos atualizando e buscando novas alternativas. Deveríamos estar capacitados e prontos para exercer a consultoria. Deveríamos vender nosso conhecimento e não as comissões.


Com a nova Medida Provisória expedida pela Presidência da República em 11 de novembro de 2019, a SUSEP deixará de regulamentar nossa profissão, que passará a ter uma autorregulação, e mais do que isso, com a exclusão dos Corretores de Seguros do Sistema Nacional de Seguros Privados, muitos vêm como o fim da profissão de Corretor de Seguros, já que qualquer um poderá comercializar seguros.


Sobre a autorregulação, eu entendo como um avanço, pois acredito que assim haverá um controle maior e uma reciclagem sobre os profissionais. Além de diminuir os gastos públicos, tornando o processo mais moderno e acompanhando as inovações do nosso mercado.

Como já indicado pela própria SUSEP, a autorregulação ficará a cargo da IBRACOR (Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta) que foi criada em 14 de junho de 2013 e finalmente terá seu papel de destaque perante a profissão de corretores de seguros.


Como profissional deste setor, espero que faça isso com a seriedade que é necessária, tendo em vista a importância que o ramo de seguros possui no mercado. Ainda não está definido quais serão os requisitos mínimos exigidos para exercer a função, mas acredito que os já habilitados corretores estarão aptos, ou ao menos, prontos para exercer a função e caso os profissionais que estão há anos no mercado, exercendo o papel de corretor de seguros, não conseguirem ser aprovados na autorregulação, mostra que a SUSEP foi, durante muitos anos omissa e uma medida deveria mesmo ser tomada.


No modelo atual, muitos corretores estão livres para comercializar diversos produtos que não possuem o mínimo de conhecimento, isso porque as seguradoras, muitas vezes, não exigem que ele seja um especialista nesse ramo e consequentemente, vemos muitas contratações equivocadas e um desgaste ainda maior da imagem do corretor de seguros.


Sobre a exclusão, eu vejo que perdemos uma grande batalha, mas isso afeta diretamente aquele profissional que não buscou melhorar, aquele que sempre se baseou no fato de que estar habilitado pela SUSEP seria o suficiente para entender e comercializar tudo que envolve o ramo de Seguros, que são centenas de possibilidades. Resumindo, aquele colega de profissão que estava acomodado terá que correr atrás do tempo perdido e buscar conhecimento, se quiser continuar a exercer suas atividade, ou melhor, se quiser continuar vivendo de seguros.


É tudo muito recente, e algumas coisas ainda podem mudar, e acredito que as entidades que nos representam irão buscar o fortalecimento da nossa classe, mas é um bom momento de reflexão para todos os corretores de seguros, que podemos sim ser substituídos e que se não buscarmos melhorar a cada dia, seremos superados.

Caso a decisão se mantenha, tenho dois alertas:


  • Aos meus colegas de profissão, estamos alguns passos à frente, temos mais experiência, mas só os melhores sobreviverão, então é a hora de sair da zona de conforto e se tornar um profissional melhor a cada dia, nos atualizarmos sobre o mercado como um todo e se especializar naqueles ramos que acreditam serem mais promissores.

  • Aos consumidores, reforço a importância de ter um corretor de seguros de confiança, alguém que tenha conhecimento sobre os seus riscos e que encontre a cobertura securitária adequada. Sempre digo aos meus clientes que no ramo de seguros não existem milagres, existem o jeito certo e o jeito errado de ser feito e acreditem, uma contratação errada trará enormes consequências para você, sua família, sua empresa, seus colaboradores, sua profissão, seus patrimônios.

O ramo de seguros não é para amadores, seja ele habilitado ou não, então procure um profissional capacitado e esteja devidamente protegido.


Eu acredito em um mercado mais competitivo e me preparei para este momento com muito estudo, comprometimento e dedicação à essa profissão que eu exerço com tanto amor, respeito e orgulho.


Para alguns é o fim, mas para mim é só o começo, estou pronto para seguir em frente e à frente.



Jefferson Nobre

Sócio - Especialista em Seguros e Benefícios da IN

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